– A música é uma coisa apavorante. O que é? Eu não entendo.
O que a música faz?
– Exalta a alma!
– Bobagem! Ao ouvir uma marcha, sua alma se exalta? Não,
marcha. Se é uma valsa, você dança. Na missa, você comunga. A música tem o
poder de fazer a pessoa entender o que passa na cabeça de um compositor. O
ouvinte não tem escolha. É como hipnotismo. Então... O que eu tinha em mente
quando compus isso? Um homem está tentando chegar à sua amada. Sua carruagem
quebrou na chuva. As rodas presas na lama. Ela não vai esperar mais.
– Este é o ruído de sua agitação. "E assim
acontece" diz a música "não como está habituado não como costuma
pensar, mas assim é".
(Immortal
Beloved)
O texto acima me
prendeu de tal modo, que me obrigou a voltar essa cena por diversas vezes, só
para reler a melhor definição do que a música é para nós, seres humanos.
Foi isto o que
sempre senti. Sempre me senti sendo levada pela música, ela tem um poder sobre
mim. Em meus momentos em que sou minha própria companhia, a música grita,
conversa, dança, chora, sorri, briga comigo.
As músicas que
possuem letra, pode contar algo de nossa vida, pode também contar algo que
gostaríamos que fosse parte da nossa vida. E as que aproveitam apenas da
melodia, essas podem ser as mais apavorantes, porque de certo modo ela nos
conta uma história sem nos contar.
O compositor faz o
que quer conosco sem dizer uma só palavra. Eu já entendi tantas histórias -
pouco me importa meu acertos e erros - mas há uma música que por mais que eu me
esforce, não entendo sua história. Por isso, por direito, é minha história.
A música a seguir
será a do meu casamento e, também, a do meu enterro. Mesmo que lá não a toquem.